sábado, 15 de janeiro de 2011

Férias...



As férias estão quase no fim, mas até lá há, ainda, muito tempo para descansar e aproveitar. Em breve, quando as aulas recomeçarem, voltarei a esse espaço para conversar sobre nossas aulas e os conteúdos de história para as turmas do 3° ano do ensino médio.

Li nessa tempo o excelente 1822, de Laurentino Gomes - embora o livro anterior, 1808, seja na minha opinião, muito melhor. No entanto, para o aluno do ensino médio, 1822 é uma excelente fonte de informação para o período da independência do Brasil.

Já ia esquecendo... Também li um livro sobre cosmologia. O que entendi? Por que o li? Ah, para avançar alguns centímetros além das minhas fronteiras...

Um bom descanso a todos.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Qual o momento político mais importante da história recente do país?

Vale a pena assistir a este brevíssimo vídeo onde importantes personalidades políticas que protagonizaram importantes fatos políticos da história recente do Brasil comentam esses fatos. Talvez seja útil para o vestibular que se aproxima.

Um abraço, queridos!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Discurso II

(Leia primeiro o post abaixo)

Ilustríssimos professores, senhores pais, queridos alunos, boa noite.

É sempre gratificante chegar ao final de um longo processo e ter a consciência do dever cumprido. Vocês venceram obstáculos. Não se deixaram intimidar por dissabores ou reveses. Avançaram, às vezes mais depressa, outras vezes mais devagar, em direção às metas estabelecidas e as atingiram. É por isso que esta noite é uma noite de celebração.

Não foram poucas as angústias e os temores que assolaram os seus corações. Tentamos como professores, e, sobretudo, como companheiros, nessa jornada difícil e recompensadora, que é o trabalho em sala de aula, dar a vocês segurança e tranqüilidade; apoio e compreensão e, acima de tudo, a nossa dedicação. Dedicação exemplificada pela paciência e pela perseverança. Paciência para entender que cada um tem o seu tempo particular para aprender, e perseverança para nunca desistir, mesmo nos momentos em que vocês estavam pessimistas quanto à realização de suas metas e objetivos. Por isso, queridos, a festa de vocês é também um pouco nossa.

Inevitavelmente, a vida de cada formando será outra a partir de agora. O mundo, com os seus desafios e exigências, cobrará de vocês algum tipo de ação. O que o futuro lhes reserva não sabemos. Há tantas variáveis que não controlamos... Mas queremos deixar nessa noite uma única certeza: a de que daqui ficaremos torcendo pelo sucesso profissional e pessoal de todos vocês. Mais: que estaremos sempre aqui, tanto para celebrar suas conquistas quanto para apoiá-los e confortá-los, nos momentos difíceis que a vida sempre nos reserva. Continuem contando com o colégio La Salle e, especialmente, com os seus professores.

Nós abraçamos uma profissão que vem sendo há anos desprestigiada. É tão raro um aluno sonhar em ser professor. São tantos os desestímulos para se tornar professor que é impossível não sentir um imenso orgulho dos nossos colegas.

Olhem bem para cada um dos professores que estão aqui. Todos eles, apesar de tantas dificuldades, esmeraram-se em oferecer a vocês um trabalho sério, digno e competente.

O que nos move, portanto, não é o status social de ser professor, mas aquela satisfação que existe no coração de cada um de nós, quando vê o crescimento intelectual do seu aluno. E o crescimento de vocês impressiona. Não há recompensa maior, acreditem!

Queremos concluir essas palavras fazendo um pedido especial. Nunca esqueçam ou negligenciem aqueles que são, e que nunca deixarão de ser os maiores responsáveis por tudo em suas vidas: os seus pais. Nenhum dissabor, contratempo, mágoa ou ressentimento deve ser capaz de macular o amor e o carinho que vocês devem a eles. A alegria, o orgulho e a satisfação que hoje vocês estão proporcionando a quem os ama acima de tudo não têm tamanho. É também por isso que a alegria deles, certamente, é maior que a de vocês.

Beijem seus pais e suas mães e, com reconhecimento, lhes digam: “Muito obrigado por tudo que vocês fizeram por nós”.

Que Deus abençoe cada um de nós.

Boa-Noite.


PS: Quem tiver fotos e as quiser enviar para eu anexá-las a esses posts enviem para o e-mail nejpsc@gmail.com

Discurso I

Quando fui escolhido pela turma 304 do colégio La Salle como o professor paraninfo, juntando-me a outros colegas que tinham sido escolhidos por outras turmas do 3° ano, escrevi o discurso que vocês podem ler mais abaixo. No entanto, foi decidido que apenas um discurso seria lido por todos os professores paraninfos na solenidade de colação de grau. Incumbiram-me de escrever esse único discurso para ser lido pelos paraninfos. Disciplinadamente, assim o fiz.

Neste post deixo o discurso que fiz inicialmente para a turma 304 e no post acima o discurso que foi lido na solenidade de colação de grau.


Ilustríssimos professores, senhores pais, queridos alunos, boa noite.

Foi com surpresa que recebi a notícia de que tinha sido escolhido como paraninfo da turma 304. Existem duas razões para essa surpresa: uma de ordem geral, e outra de ordem bem particular.

A primeira razão é que não sou exatamente um professor carismático. Não sou nada simpático. Estou quase sempre inclinado a corrigir com severidade aquilo que bem poderia ser corrigido com gentileza. Além disso: a descontração, o jeito performático, o talento de ser engraçado - fatores tão importantes numa sala de aula, e que tanto agradam a maioria dos alunos - não estão entre as minhas características. Ir de encontro aos consensos, ser contundente na exposição das ideias, contrariar as correntes de opinião que predominam tudo isso pode me transformar num professor polêmico, mas dificilmente me transformaria num professor querido.

Mas eu disse que havia um fato de ordem particular na minha surpresa com o gesto generoso da turma 304. Vocês se lembram de uma prova discursiva de história, cuja correção em sala de aula fez despertar ódios secretos e declarados. Lembro bem da maneira como fui contestado, e não seria exagero dizer, fustigado naquele dia, e do quanto foi doído me manter firme, o quanto foi penoso contrariá-los, o quanto foi difícil parecer intransigente... Seria tão mais fácil contemporizar, flexibilizar os meus critérios de correção, agradar à parcela que me fustigava e assim todos ficariam felizes, satisfeitos, e com notas melhores. Mas se eu fizesse isso não estaria sendo um professor, mas um prestidigitador. Naquele momento, tive a real noção do que deve sentir um pai ou uma mãe quando se veem obrigados a contrariar o filho em nome do amor que sentem e do cuidado que devem a ele. A diferença é que é muito mais fácil e até obrigatório para vocês perdoar os pais do que o professor, e naquela ocasião, eu temi que nossa relação se deteriorasse a cada dia... Por isso, recebi com pasmo a notícia de que a turma 304 havia me escolhido como paraninfo.

Olhem bem para cada um dos professores que vocês vêem aqui nessa noite de festa. Tentem lembrar de tantos outros que passaram pela vida de vocês e guardem a certeza que cada um deles traz um orgulho que não tem preço. Acreditem-me! Não existe recompensa maior para quem trabalha no universo da educação do que o sucesso De vocês. Cada um de nós, professores, aqui presentes, e representando todos os professores que vocês um dia já tiveram, nos regozijamos com a vitória de vocês porque sabemos que a realização máxima do nosso trabalho é e sempre será as realizações e as conquistas que vocês devem buscar incansavelmente.

Quando se tem a idade de vocês, é normal esquecer ou negligenciar aqueles que são, e que nunca deixarão de ser os maiores responsáveis por tudo em nossa vida. Nunca se esqueçam que não há dissabor, contratempo, mágoa, ressentimento capaz de manchar o amor, o carinho, a alegria, a satisfação que hoje vocês estão proporcionando aos pais de vocês. É também por isso que a alegria deles certamente é maior que a de vocês.

Beijem seu pai e a sua mãe, e lhes digam: “ muito obrigado por tudo que vocês fizeram por mim”

Boa noite!

Aqui é possível conferir um vídeo feito pela turma 304.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Boris Fausto - o período democrático (1945- 1964)

Sexta-feira, dia 01 de outubro, ocorrerá nossa avaliação discursiva. Abaixo, três vídeos que devem ajudá-los a se preparar para essa avaliação. Assista-os depois de ter estudado o conteúdo em seu livro e as anotações do caderno, além, é claro, dos exercícios. Qualquer dúvida, estarei à disposição tanto por aqui, quanto em sala. Bons estudos!








terça-feira, 3 de agosto de 2010

Olga Benário e Luís Carlos Prestes...


Abaixo, conheça um pedaço da história sobre Luís Carlos Prestes e Olga Benário que não aparece nos livros didáticos de história e são, quando são, deturpados em filmes, biografias e documentários.

As palavras abaixo estão no livro de Jacob Gorender, comunista histórico que corajosamente relatou os crimes cometidos pela esquerda no imperdível livro chamado Combate nas Trevas. Segue o relato.

Desde menina, Elvira Cupelo Colônio acostumara-se a ver, em sua casa, os numerosos amigos de seu irmão, Luiz Cupelo Colônio. Nas reuniões de comunistas, fascinava-se com os discursos e com a linguagem complexa daqueles que se diziam ser a salvação do Brasil. Em especial, admirava aquele que parecia ser o chefe e que, de vez em quando, lançava-lhe olhares gulosos, devorando o seu corpo adolescente. Era o próprio Secretário-Geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Antonio Maciel Bonfim, o “Miranda”.

Em 1934, então com 16 anos, Elvira Cupelo tornou-se a amante de “Miranda” e passou a ser conhecida, no Partido, como “Elza Fernandes” ou, simplesmente, como a “garota”. Para Luiz Cupelo, ter sua irmã como amante do secretário-geral era uma honra. Quando ela saiu de casa e foi morar com o amante, Cupelo viu que a chance de subir no Partido havia aumentado.



Entretanto, o fracasso da Intentona, com as prisões e os documentos apreendidos, fez com que os comunistas ficassem acuados e isolados em seus próprios aparelhos.


Nos primeiros dias de janeiro de 1936, “Miranda” e “Elza” foram presos em sua residência, na Avenida Paulo de Frontin, 606, Apto 11, no Rio de Janeiro. Mantidos separados e incomunicáveis, a polícia logo concluiu que a “garota” pouco ou nada poderia acrescentar aos depoimentos de “Miranda” e ao volumoso arquivo apreendido no apartamento do casal. Acrescendo os fatos de ser menor de idade e não poder ser processada, “Elza” foi liberada. Ao sair, conversou com seu amante que lhe disse para ficar na casa de seu amigo, Francisco Furtado Meireles, em Pedra de Guaratiba, aprazível e isolada praia da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Recebeu, também, da polícia, autorização para visitá-lo, o que fez por duas vezes.



Em 15 de janeiro, Honório de Freitas Guimarães, um dos dirigentes do PCB, ao telefonar para “Miranda” surpreendeu-se ao ouvir, do outro lado do aparelho, uma voz estranha. Só nesse momento, o Partido tomava ciência de que “Miranda” havia sido preso. Alguns dias depois, a prisão de outros dirigentes aumentou o pânico. Segundo o PCB, havia um traidor. E o maior suspeito era “Miranda”.
As investigações do “Tribunal Vermelho” começaram. Honório descobriu que “Elza” estava hospedada na casa do Meireles, em Pedra de Guaratiba. Soube, também, que ela estava de posse de um bilhete, assinado por “Miranda”, no qual ele pedia aos amigos que auxiliassem a “garota”. Na visão estreita do PCB, o bilhete era forjado pela polícia, com quem “Elza” estaria colaborando. As suspeitas transferiram-se de “Miranda” para a “garota”.

Reuniu-se o “Tribunal Vermelho”, composto por Honório de Freitas Guimarães, Lauro Reginaldo da Rocha, Adelino Deycola dos Santos e José Lage Morales. Luiz Carlos Prestes, escondido em sua casa da Rua Honório, no Méier, já havia decidido pela eliminação sumária da acusada. O “Tribunal” seguiu o parecer do chefe e a “garota” foi condenada à morte. Entretanto, não houve a desejada unanimidade: Morales, com dúvidas, opôs-se à condenação, fazendo com que os demais dirigentes vacilassem em fazer cumprir a sentença. Honório, em 18 de fevereiro, escreveu a Prestes, relatando que o delator poderia ser, na verdade, o “Miranda”.


A reação do “Cavaleiro da Esperança” foi imediata. No dia seguinte, escreveu uma carta aos membros do “Tribunal”, tachando-os de medrosos e exigindo o cumprimento da sentença. Os trechos dessa carta de Prestes, a seguir transcritos, constituem-se num exemplo candente da frieza e da cínica determinação com que os comunistas jogam com a vida humana:



“Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilação de vocês. Assim não se pode dirigir o Partido do Proletariado, da classe revolucionária.” … “Por que modificar a decisão a respeito da “garota”? Que tem a ver uma coisa com a outra? Há ou não há traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima ao Partido…?” … “Com plena consciência de minha responsabilidade, desde os primeiros instantes tenho dado a vocês minha opinião quanto ao que fazer com ela. Em minha carta de 16, sou categórico e nada mais tenho a acrescentar…” … “Uma tal linguagem não é digna dos chefes do nosso Partido, porque é a linguagem dos medrosos, incapazes de uma decisão, temerosos ante a responsabilidade. Ou bem que vocês concordam com as medidas extremas e neste caso já as deviam ter resolutamente posto em prática, ou então discordam mas não defendem como devem tal opinião.”



Ante tal intimação e reprimenda, acabaram-se as dúvidas. Lauro Reginaldo da Rocha, um dos “tribunos vermelhos”, respondeu a Prestes:


“Agora, não tenha cuidado que a coisa será feita direitinho, pois a questão do sentimentalismo não existe por aqui. Acima de tudo colocamos os interesses do P.”


Decidida a execução, “Elza” foi levada, por Eduardo Ribeiro Xavier (”Abóbora”), para uma casa da Rua Mauá Bastos, Nº 48-A, na Estrada do Camboatá, onde já se encontravam Honório de Freitas Guimarães (”Milionário”), Adelino Deycola dos Santos (”Tampinha”), Francisco Natividade Lira (”Cabeção”) e Manoel Severino Cavalcanti (”Gaguinho”).



Elza, que gostava dos serviços caseiros, foi fazer café. Ao retornar, Honório pediu-lhe que sentasse ao seu lado. Era o sinal convencionado. Os outros quatro comunistas adentraram à sala e Lira passou-lhe uma corda de 50 centímetros pelo pescoço, iniciando o estrangulamento. Os demais seguravam a “garota”, que se debatia desesperadamente, tentando salvar-se. Poucos minutos depois, o corpo de “Elza”, com os pés juntos à cabeça, quebrado para que ele pudesse ser enfiado num saco, foi enterrado nos fundos da casa. Eduardo Ribeiro Xavier, enojado com o que acabara de presenciar, retorcia-se com crise de vômitos.


Perpetrara-se o hediondo crime, em nome do Partido Comunista.



Poucos dias depois, em 5 de março, Prestes foi preso em seu esconderijo no Méier. Ironicamente, iria passar por angústias semelhantes, quando sua mulher, Olga Benário, foi deportada para a Alemanha nazista.


Alguns anos mais tarde, em 1940, o irmão de “Elza”, Luiz Cupelo Colônio, o mesmo que auxiliara “Miranda” na tentativa de assassinato do “Dino Padeiro”, participou da exumação do cadáver. O bilhete que escreveu a “Miranda”, o amante de sua irmã, retrata alguém que, na própria dor, percebeu a virulência comunista:


“Rio, 17-4-40″

Meu caro Bonfim, Acabo de assistir à exumação do cadáver de minha irmã Elvira. Reconheci ainda a sua dentadura e seus cabelos. Soube também da confissão que elementos de responsabilidade do PCB fizeram na polícia de que haviam assassinado minha irmã Elvira. Diante disso, renego meu passado revolucionário e encerro as minhas atividades comunistas. Do teu sempre amigo, Luiz Cupelo Colônio”.