sábado, 6 de fevereiro de 2010

A Primeira Guerra Mundial





Imagine que você, meu caro estudante, pudesse nesse exato momento entrar numa máquina do tempo e voltar aos tumultuosos e tensos dias que antecederam à eclosão da I Guerra Mundial. Imagine que você pudesse, em primeira mão, ouvir de um dos terroristas que participaram do plano para assassinar o arquiduque Francisco Ferdinando, como o atentado foi planejado e executado. Acha pouco? Tem mais. Imagine que, como num passe de mágica, nessa viagem ao passado, você pudesse acompanhar em tempo real os longos e desoladores anos desse conflito que ceifou a vida de tantos jovens na Europa. Pois tudo isso é possível. Para tanto, meu querido aluno, basta que você tenha imaginação, um computador e acesso a internet.

Os links abaixo o levarão a uma viagem dividida em quatro etapas, cada uma correspondendo aos anos de guerra. Vale a pena conferir e aprender um pouco mais sobre esse conflito que mudou a configuração geopolítica da Europa, deu início ao ocaso da hegemonia européia no mundo e elevou os Estados Unidos da América ao status de grande potência.

A Grande Guerra

A luta em Galípoli

A Batalha do Somme

Os EUA estão na Luta

No primeiro link peço atenção para as seguintes matérias: O estopim e a explosão; "Morte ao Tirano" e As alianças

O conteúdo completo dos anos do conflito é fascinante e vale a pena deter-se com mais vagar nas matérias.

Então, meu caro estudante, disposto?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

I Guerra Mundial - antecedentes 2


O mapa que inicia o post ilustra a extensão máxima do outrora poderoso e ameaçador império turco-otomano. Observe que os domínos dos turcos, de religião islâmica, estendia-se por boa parte da Europa oriental - região dos bálcãs - além do norte da África e do Oriente Médio.

Nos séculos XVI e XVII os turcos eram uma verdadeira ameaça aos reinos europeus que a muito custo detiveram a expansão dos otomanos para o oeste do continente europeu. Contudo, no século XIX, o império turco enfrenta uma série de crises internas, além de revoltas nas regiões que estavam sob o seu domínio e inicia um processo de enfraquecimento que vai se acentuar no final do século XIX e início do século XX.

Após a I Guerra Mundial (1914-1918) ocorre o esfacelamento do império, transformando as regiões do oriente médio que estavam sob domínio turco, em protetorados das potências europeias vencedoras do conflito, principalmente a França e a Grã-Bretanha.

Observe mais uma vez o mapa, comparando-o com os mapas do post abaixo, e perceba que a dimunição do império turco-otomonao foi gradual. Ainda no século XIX eles foram derrotados no norte da África e foram perdendo territórios na região dos bálcãs.


No final do século XIX os bálcãs (mapa acima) constituiam-se na parte mais turbulenta da Europa. Muitos historiadores refrem-se a essa região na época como um barril de pólvora, tamanho era o seu potencial explosivo. Não foi à toa que o evento que desencadeou a I Guerra Mundial - o assassinato do herdeiro do trono austro-húngaro, Francisco Ferdinando e de sua mulher, Sofia, ocorreu na capital da Bósnia, Sarajevo. Veja o mapa abaixo.

Havia na região dos bálcãs um desejo crescente, marcado pelas ideias nacionalistas, de livrar-se do domínio turco-otomano, formando nações livres e independentes. Por conta disso, diversos conflitos no final do século XIX e início do século XX ocorreram nessa região, sempre buscando a independência em relação aos turcos ou a expansão territorial dos reinos que já haviam obtido a independência.

A principal razão de a região dos bálcãs ser um foco de constantes conflitos e tensões, deve-se, sobretudo, aos diversos interesses das potências na região. Entre esses interesses podemos destacar os interesses da:

Rússia - Aliada do reino da Sérvia, o império russo era inimigo do império turco otomano, sobretudo por causa do controle dos estreito de Dardanelos e do Bósforo que estavam sob o controle otomano. Dessa forma, a política dos czares era o de apoiar as pretensões de povos que quisessem libertar-se do domínio turco, daí a aproximação dos russos com os sérvios, que defendiam a formação de um país eslavo na região. Esse projeto liderado pela Sérvia e apoiado pelos russos ficou conhecido com pan-eslavismo.

Áustria-Hungria - Inimigos históricos dos turcos, o império austro-húngaro aproveitou-se do enfraquecimento desse império na região dos bálcãs e, em 1908, anexou a região da Bósnia-Herzegovina, o que irritou os nacionalistas sérvios, uma vez que tal anexação era uma ameaça ao projeto do pan-eslavismo. A partir de então, o clima entre a Sérvia e a Áustria-Hungria foi ficando mais tenso.

Alemanha - O imppério alemão que apresentava um vigoroso crescimento industrial desde a década de 1880, ameaçando a hegemonia britânica no continente, pretendia, com o apoio da Áustria-Hungria e do império turco, construir uma ferrovia ligando Bagdá a Berlim, e assim ter acesso mais rápido e barato aos campos de petróleo do oriente médio. Essa possibilidade preocupava a Grã-Bretanha que temia um fortalecimento ainda maior do império alemão.

Numa época em que os aliados dos meus inimigos, meus inimigos são, os alemães despertaram rancores na Rússia e na Sérvia, uma vez que era aliado dos austro-húngaros e dos turcos.

No dia 28 de junho de 1914, na cidade de Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, um terrorista sérvio, da organização Mão Negra, aproximou-se do carro onde estavam o arquiduque Francisco Ferdinando e sua esposa, Sofia, desferindo contra ambos, tiros de pistola, matando-os.

Esse atentado acabou movimentando as engrenagens dos blocos de alianças (Triplice Aliança e Tríplice Entente), e um mês depois, a Europa estava em Guerra.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Antecedentes da I Guerra Mundial.

Na Segunda Metade do século XIX, sobretudo nas últimas décadas, a disputa por colônias entre as potências europeias agravou o clima de rivalidade e desconfiança mútuas que marcaram as relações diplomáticas entre elas. Lembre-se que no período a expansão capitalista e o significativo aumento da produção industrial obrigaram as potências a ampliarem seus mercados consumidores e a buscarem novas fontes de matéria-prima. É nesse contexto que ocorre a expansão colonial conhecida como neocolonialismo.

O domínio político e econômico que as potências exerceram sobre essas regiões (colônias) vai ficar conhecido como imperialismo.

Entre as potências industriais mais importantes, destacaram-se: a Grã-Bretanha, a França, a Alemanha e a Itália, além dos Estados Unidos e do Japão. Outros atores políticos, contudo, tinham status de potência porque controlavam vastas regiões, embora do ponto de vista econômico e militar fossem bastante inferiores às potências citadas acima. Como exemplo desses atores secundários, podemos citar o império austro-húngaro, a Rússia e o império turco-otomano, este em franca decadência.

(Clique na imagem para ampliar)


O mapa acima mostra a Partilha da África promovida pelas potências europeias na Conferência de Berlim (1884-85), com o objetivo de evitar conflitos no continente que envolvessem as potências europeias. Já vimos que esse objetivo não foi alcançado, sobretudo porque a tal partilha da África privilegiou, como se pode observar no mapa, a Grã-Bretanha e a França, aumentando os ressentimentos da Alemanha, potência cujo crescimento industrial ameaçava a hegemonia britânica.

O domínio e predomínio colonial britânico e francês na África também ocorria na Ásia, de modo que Alemanha e Itália, países que se unificaram politicamente apenas por volta de 1870, e que por isso começaram tarde a expansão industrial capitalista, ficaram com poucas regiões a colonizar.

Antes de 1914, a configuração geopolítica da Europa e do Oriente médio era bastante diferente. Os mapas abaixo - antes de 1914 e após 1918 - ajudam a compreender melhor essa afirmação. Observe-os com atenção e tente encontrar importantes diferenças entre eles.

(Clique na imagem para ampliar)

Mapa da Europa em 1919 - clique na imagem para ampliar.











segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A Luta Armada e os livros

A Luta Armada é mesmo um assunto cheio de armadilhas nos livros didáticos. Tenho mais de uma dezena aqui e tomei o cuidado de avaliar um por um, e como suspeitava, em todos as referências sobre a ação dos grupos de esquerda são tratadas quando não com orgulho, de quem considera o máximo sequestrar, roubar, explodir bombas, ao menos com benevolência, como se dissessem: "houve exageros, reconheçemos, mas havia uma justificativa moral para essas ações". Num dos livros, o de Cláudio Vicentino e Gianpaolo Dorigo, sequer as ações são mencionadas.

Outra grande farsa, embora alguns autores recorram a verbos e expressões que lhe dão uma escapatória - custava eles serem claros e diretos? - é a afirmação de que as ações desses grupos terroristas vieram junto com a aprovação do AI-5. É MENTIRA!!!!! A opção pela luta armada é anterior ao AI-5 como atesta Jacob Gorender e outros militantes de esquerda que optaram pela Luta Armada, mas tiveram a honestidade intelectual de reconhecer que as ações terroristas ocorreram antes de 13 de dezembro de 1968 e fizeram parte da decisão política de recorrer à violência e ao terror como estratégia para enfrentar o regime militar.

Aliás, é o próprio Gorender e outros militantes que desmentem os livros didáticos de história quando afirmam categoricamente que em nenhum momento os grupos que recorreram ao terrorismo para enfrentar a ditadura defendiam um regime democrático. Eles queriam uma ditadura do proletariado. Essa é a verdade histórica.

ps: Um boçal fez dois comentários no post abaixo que eu recusei. Oh, Mané! Quer me achincalhar? Tudo bem, faz parte do jogo. Agora, no anonimato não. Outra coisa, Pedro Bó, apresenta fatos e não exemplos de cartilhas partidárias.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Contra a mentira, a VERDADE!!!!

Já disse aqui várias vezes que numa democracia todos têm liberdade para defenderem as causas que acharem mais justas. Agora, recorrer a mentira e a desfaçatez para justificar uma causa vai encontrar de minha parte uma oposição dura e contundente.

Ano passado, numa aula sobre a Luta Armada, o diretor da escola onde eu trabalho entrou na sala para assistir a aula no exato momento em que eu fazia uma exposição inequívoca da mentira existente em vários livros didáticos de história de que os grupos terroristas que recorreram às armas contra o Regime Militar NUNCA defenderam a democracia. O diretor, diante de minha exposição contundente arregalou os olhos, mas nada disse. Saiu da sala e nunca me censurou pela exposição. O livro didático dos alunos trazia trechos abomináveis como esse que transcrevo abaixo

"Pessoas que dão a vida pelo ideal de libertação de seu povo não podem ser consideradas criminosas. Mesmo que a gente não concorde com os caminhos trilhados. Eles mataram? Certamente. Mas nunca torturaram. Nem enterraram suas vítimas em cemitérios clandestinos. E se o tivessem feito, nada disso justificaria a tortura e o assassinato executados pelo Estado. Além disso, seria mesmo inadmissível pegar em armas contra um regime antidemocrático que esmagava o povo brasileiro?"

O trecho acima está na página 745 do livro História Crítica, de Mário Schmidt, editora Nova Fronteira, Volume único para o Ensino Médio. Se você não percebeu a pusilanimidade do autor, sua moral homicida, seu cinismo cruel, releia o trecho por favor, período por período.

É MENTIRA que eles não torturaram. É MENTIRA que eles não enterraram suas vítimas em cemitérios clandestinos, vide o caso do tenente Alberto Mendes Junior assassinado por ordens de Carlos Lamarca. (Vejam no post abaixo o número 56), que só teve o corpo encontrado depois que um dos terroristas presos indicou o local onde o corpo foi enterrado. Aliás, esse militar foi torturado sim!

As forças repressivas do Estado mataram, torturaram, disso ninguém duvida nem se questiona. Os verdadeiros democratas repudiam com veemência que as pessoas sob a tutela do Estado, ainda que fossem terroristas, tenham sido torturadas e mortas. No entanto, os verdadeiros democratas repudiam com a mesma força e indignação as mortes promovidas pelos grupos terroristas de esquerda. Nós não fazemos distinção entre os mortos. Nós não fazemos distinção entre os assassinos.

Mais adiante, na página 746, o autor reforça a maior mentira sobre o período e que seduz a cabeça dos meninos e meninas que estão prestes a entrar numa universidade. Vejam o trecho:

"Uma geração que pagou um alto preço por seus sonhos: pagou com o próprio sangue. Por isso, amigo leitor, se hoje eu posso escrever essas linhas, se hoje você pode dizer o que pensa, saiba que entre os responsáveis por nossa liberdade estão aqueles que deram sua vida para que um dia o país não estivesse mais sob o jugo das botas da tirania."

Todos os grupos de esquerda que recorreram as armas contra a ditadura militar no Brasil, repito: TODOS, jamais tiveram o regime democrático como horizonte. Defendiam abertamente a ditadura do proletariado. Eles mesmos admitiam que se inspiravam em regimes totalitários como o cubano e o chinês. Afirmar que esses terroristas sacrificaram-se pelas liberdades e pela democracia é vigarice. Além do mais, a Luta Armada foi um grande fracasso. Os atores políticos que conseguiram minar a ditadura no Brasil não pegaram em armas nem mataram gente inocente, muito menos fizeram "justiçamentos". Essa é a verdade. O resto é mentira!!!

Finalmente, é comum encontrar em livros didáticos de História que a opção das esquerdas pela Luta Armada decorreu em consequência do Ato Institucional número 5, de 13 de dezembro de 1968. Como o post AS VÍTIMAS DA LUTA ARMADA 1 prova, as ações desses grupos antecedem ao AI 5. O livro em questão não poderia deixar de contar mais essa mentira:

" No Brasil não poderia ser diferente [a existência de grupos de guerrilha que praticavam o Terror]: muitos estudantes, velhos militantes de esquerda e intelectuais começaram a organizar grupos guerrilheiros. Para eles, depois do AI-5 não havia mais espaço para a legalidade. Só a luta armada libertaria o Brasil." (pág. 742)

O livro História Crítica é o único exemplo? Infelizmente, não. Talvez seja o mais descarado, mas por isso mesmo mais fácil de ser desmoralizado. Outros, fazem uma defesa mais comedida, embora igualmente imoral, da Luta Armada. Ainda vou tratar deles.



Os "heróis da resistência" eram implacáveis!

Ainda vou escrever sobre esses assassinatos que os terroristas de esquerda cometeram em nome da ditadura do proletariado. Isso mesmo. É MENTIRA que esses grupos lutaram contra o Regime porque defendiam a democracia. Assim como É MENTIRA que só recorreram à Luta Aramada por causa do AI 5, como está provado nas ações terroristas que entecederam o Ato Institucional de 13 de dezembro de 1968.

Ah, Zé Paulo, mas os militares também mataram. Sim. Então explica para mim por que os militares que mataram viraram bandidos e os terroristas de esquerda que mataram proporcionalmente muito mais, haja vista o número de militantes desses grupos serem numericamente bem menor que o número de militares, tenham virado heróis? Quem matou, torturou, sequestrou merece o mesmo tratamento independente da sua cor ideológica. Sou esquisito, não?

Abaixo, sempre tendo como fonte o blog do jornalista Reinaldo Azevedo, os nomes de terroristas que foram mortos pelos próprios terroristas. Quais os crimes dessas pessoas que foram no jargão imoral dessa gente, "justiçadas"? Saber demais, criticar as lideranças terroristas, vacilar diante da ação. Por aí dá para imaginar o mundo que eles sonhavam caso tivessem vencido.

A Lista

A lista das 120 vítimas das esquerdas pode ser ampliada a depender do critério que se use. E o total conhecido pode passar de 130. E, nesse caso, são os próprios esquerdistas que surgem como vítimas. Os tribunais revolucionários dos “companheiros” decretaram a pena de morte de alguns de seus pares.

Sabem o que impressiona? Nesse caso, os “reparadores” não cobram justiça. Tampouco pretendem levar os que ainda estão vivos e respondem por aquelas mortes para o banco dos réus. A canalha se protege de tal modo que acha crime de lesa humanidade que um militar mate um dos seus, mas considera que esquerdista matando esquerdista, em nome da causa, é parte legítima do jogo.

Destaco uma vítima da ALN morta por seus pares. É a organização a que pertenceu Paulo Vannuchi. Acompanhem.

O militante Márcio Leite Toledo manifestou descontentamento com os rumos da ALN e fez críticas à direção do grupo terrorista. Foi assassinado com oito tiros. Em comunicado, a organização admitiu: “A Ação Libertadora Nacional (ALN) executou, dia 23 de março de 1971, Márcio Leite Toledo. Esta execução teve o fim de resguardar a organização… Uma organização revolucionária, em guerra declarada, não pode permitir a quem tenha uma série de informações como as que possuía, vacilações desta espécie, muito menos uma defecção deste grau em suas fileiras… Tolerância e conciliação tiveram funestas conseqüências na revolução brasileira… Ao assumir responsabilidade na organização cada quadro deve analisar sua capacidade e seu preparo. Depois disto não se permitem recuos… A revolução não admitirá recuos!”.

Seguem os outros “justiçados” - isto é, terroristas mortos por seus próprios “companheiros”, conforme está sintetizado no site “Quinto Poder”:

1 - Antonio Nogueira da Silva Filho, da VAR-Palmares, condenado ao “justiçamento” em 1969 (a sentença não foi efetivada por ter o “condenado” fugido para o exterior);

2 - Geraldo Ferreira Damasceno, militante da Dissidência da VAR-Palmares (DVD), “justiçado”em 29 de maio de 1970, no Rio de Janeiro;

3- Ari Rocha Miranda, militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), “justiçado” em 11 de junho de 1970, por seu companheiro Eduardo Leite, codinome “Bacuri”, durante uma “ação”, em São Paulo;

4 - Antonio Lourenço, militante da Ação Popular (AP), “justiçado” em fevereiro de 1971, no Maranhão;

5 - Márcio Leite Toledo, da Ação Libertadora Nacional (ALN), “justiçado” em 23 de março de 1971 (ver primeiro parágrafo);

6 - Amaro Luiz de Carvalho, codinome “Capivara”, militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário(PCBR) e, posteriormente, do Partido Comunista Revolucionário (PCR), “justiçado” em 22 de agosto de 1971, em Recife, dentro do presídio onde cumpria pena;

7 - Carlos Alberto Maciel Cardoso, da Ação Libertadora Nacional (ALN), “justiçado” em 13 de novembro de 1971, no Rio de Janeiro;

8 - Francisco Jacques Moreira de Alvarenga, da Resistência Armada Nacionalista (RAN), “justiçado” em 28 de junho de 1973, dentro da Escola onde era professor, por um comando da (ALN). Maria do Amparo Almeida Araujo, então militante da Organização e, bem mais tarde, presidente do “Grupo Tortura Nunca Mais”, em Pernambuco, participou dos levantamentos que permitiram a realização do referido “justiçamento”. Hoje, em depoimento no livro “Mulheres que Foram a Luta”, do jornalista Luis Maklouf de Carvalho-1998, ela declara não saber quem realizou a ação, embora seja evidente que, para que o “justiçamento” pudesse ter sido realizado, ela devesse ter passado este levantamento para alguém;

9 - Salatiel Teixeira Rolins, do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), “justiçado” em 22 de julho de 1973 por militantes da Organização. Segundo Jacob Gorender, que em 1967 foi um dos fundadores do PCBR, em seu livro “Combate nas Trevas”, os assassinos não poderiam intitular-se “militantes do PCBR”, pois nessa época o “o PCBR não mais existia”.

No Araguaia, o PC do B justiçou Osmar, Pedro Mineiro e João Mateiro (estão na lista que já publiquei) e também o guerrilheiro (10) Rosalino Cruz Souza. Um outro de nome (ou codinome) (11) Paulo também teria sido assassinado, mas não há provas.

As vítimas da Luta Armada 4

Abaixo, a conclusão da lista de pessoas assassinadas por aqueles pacifistas de esquerda, que tanto lutaram pela democracia no Brasil… Voltarei a falar sobre esse assunto na madrugada. A questão fundamental: por que o Brasil praticamente ignora essa história, embora viva uma espécie de transe político por causa da tal “Comissão da Verdade?”

O Brasil, sem dúvida, vivia uma ditadura, onde operaram grupos paramilitares. Havia milhares de agentes do estado empenhados em conter a subversão. E o número de mortos, reconhecido pelas próprias esquerdas, é 424. Os esquerdistas, na comparação, eram meia-dúzia de gatos pingados. Mesmo assim, mataram 119 pessoas. Isso indica o, digamos assim, alto grau de letalidade daqueles humanistas.

81 - 01/07/71 - Jaime Pereira da Silva - Civil - RJ
Morto por terroristas na varanda de sua casa durante tiroteio entre terroristas e policiais.

82 - 02/09/71 - Gentil Procópio de Melo -Motorista de praça - PE
A organização terrorista denominada Partido Comunista Revolucionário determinou que um carro fosse roubado para realizar um assalto. Cumprindo a ordem recebida, o terrorista José Mariano de Barros tomou um táxi em Madalena, Recife. Ao chegar ao Hospital das Clínicas, quando fingia que ia pagar a corrida, apareceram seus comparsas, Manoel Lisboa de Moura e José Emilson Ribeiro da Silva, que se aproximaram do veículo. Emilson matou Procópio com dois tiros.

83 - 02/09/71 - Jayme Cardenio Dolce - Guarda de segurança - RJ
Assassinado pelos terroristas Flávio Augusto Neves Leão Salles, Hélio Pereira Fortes, Antônio Carlos Nogueira Cabral, Aurora Maria do Nascimento Furtado, Sônia Hipólito e Isis Dias de Oliveira, durante assalto à Casa de Saúde Dr. Eiras.

84 - 02/09/71 - Silvâno Amâncio dos Santos - Guarda de segurança - RJ
Assassinado na operação relatada acima.

85 - 02/09/71 - Demerval Ferreira dos Santos - Guarda de segurança - RJ
Assassinado na operação relatada no item 83

86 - –/10/71 - Alberto da Silva Machado - Civil - RJ
Morto por terroristas durante assalto à Fábrica de Móveis Vogal Ltda, da qual era um dos proprietários.

87 - 22/10/71 - José do Amaral - Sub-oficial da reserva da Marinha - RJ
Morto por terroristas da VAR-PALMARES e do MR-8 durante assalto a um carro transportador de valores da Transfort S/A. Foram feridos o motorista Sérgio da Silva Taranto e os guardas Emílio Pereira e Adilson Caetano da Silva.
Autores: James Allen Luz (Ciro), Carlos Alberto Salles (soldado), Paulo Cesar Botelho Massa, João Carlos da Costa.

88 - 01/11/71 - Nelson Martinez Ponce - Cabo PM - SP
Metralhado por Aylton Adalberto Mortati durante um atentado praticado por cinco terroristas do MOLIPO (Movimento de Libertação Popular) contra um ônibus da Empresa de Transportes Urbano S/A, em Vila Brasilândia, São Paulo

89 - 10/11/71 - João Campos - Cabo PM - SP
Morto na estrada de Pindamonhangaba, ao interceptar um carro que conduzia terroristas armados.

90 - 22/11/71 - José Amaral Vilela - Guarda de segurança - RJ
Neste dia os terroristas Sérgio Landulfo Furtado, Norma Sá Ferreira, Nelson Rodrigues Filho, Paulo Roberto Jabour, Thimothy William Watkin Ross e Paulo Costa Ribeiro Bastos assaltaram um carro-forte da firma Transfort, na Estrada do Portela, em Madureira. O guarda José Amaral Vilela foi morto a rajadas de metralhadora e ficaram feridos os guardas Sérgio da Silva Taranto, Emílio Pereira e Adilson Caetano da Silva.

91 - 27/11/71 - Eduardo Timóteo Filho - Soldado PM - RJ
Morto por terroristas, durante assalto contra as Lojas Caio Marti.

92 - 13/12/71 - Hélio Ferreira de Moura - Guarda de Segurança - RJ
Morto, por terroristas, durante assalto contra um carro transportador de valores da Brink’s, na Via Dutra.

93 - 18/01/72 - Tomaz Paulino de Almeida - Sargento PM - São Paulo / SP
Morto a tiros de metralhadora no bairro Cambuci quando um grupo terrorista roubava o seu carro. Autores do assassinato: João Carlos Cavalcante Reis, Lauriberto José Reyes e Márcio Beck Machado, todos integrantes do Molipo.

94 - 20/01/72 - Sylas Bispo Feche - Cabo PM São Paulo / SP
O cabo Sylas Bispo Feche integrava uma Equipe de Busca e Apreensão do DOI/CODI/II Exército. Sua equipe executava uma ronda quando um carro VW, ocupado por duas pessoas, cruzou um sinal fechado quase atropelando uma senhora que atravessava a rua com uma criança no colo. A sua equipe saiu em perseguição ao carro suspeito, que foi interceptado. Ao tentar aproximar-se para pedir os documentos dos dois ocupantes do veículo, o cabo Feche foi metralhado. Dois terroristas, membros da ALN, morreram.

95 - 25/01/72 - Elzo Ito - Estudante - São Paulo / SP
Aluno do Centro de Formação de Pilotos Militares, foi morto por terroristas que roubaram seu carro.

96 - 01/02/72 - Iris do Amaral - Civil - Rio de Janeiro
Morto durante um tiroteio entre terroristas da ALN e policiais. Ficaram feridos nesta ação os civis Marinho Floriano Sanches, Romeu Silva e Altamiro Sinzo. Autores: Flávio Augusto Neves Leão Salles (”Rogério”, “Bibico”) e Antônio Carlos Cabral Nogueira (”Chico”, “Alfredo”.)

97 - 05/02/72 - David A. Cuthberg - Marinheiro inglês - Rio de Janeiro
A respeito desse assassinato, sob o título “REPULSA”, o jornal “O Globo” publicou:
“Tinha dezenove anos o marinheiro inglês David A. Cuthberg que, na madrugada de sábado, tomou um táxi com um companheiro para conhecer o Rio, nos seus aspectos mais alegres. Ele aqui chegara como amigo, a bordo da flotilha que nos visita para comemorar os 150 anos de Independência do Brasil. Uma rajada de metralhadora tirou-lhe a vida, no táxi que se encontrava. Não teve tempo para perceber o que ocorria e, se percebesse, com certeza não poderia compreender. Um terrorista, de dentro de outro carro, apontara friamente a metralhadora antes de desenhar nas suas costas o fatal risco de balas, para, logo em seguida, completar a infâmia, despejando sobre o corpo, ainda palpitante, panfletos em que se mencionava a palavra liberdade. Com esse crime repulsivo, o terror quis apenas alcançar repercussão fora de nossas fronteiras para suas atividades, procurando dar-lhe significação de atentado político contra jovem inocente, em troca da publicação da notícia num jornal inglês. O terrorismo cumpre, no Brasil, com crimes como esse, o destino inevitável dos movimentos a que faltam motivação real e consentimento de qualquer parcela da opinião pública: o de não ultrapassar os limites do simples banditismo, com que se exprime o alto grau de degeneração dessas reduzidas maltas de assassinos gratuitos”.

A ação criminosa, tachada como “justiçamento”, foi praticada pelos seguintes terroristas, integrantes de uma frente formada por três organizações comunistas:
- ALN - Flávio Augusto Neves Leão Salles (”Rogério”, “Bibico”), que fez os disparos com a metralhadora, Antônio Carlos Nogueira Cabral (”Chico”, “Alfredo”), Aurora Maria Nascimento Furtado (”Márcia”, “Rita”), Adair Gonçalves Reis(”Elber”, “Leônidas”, “Sorriso”);
- VAR-PALMARES - Lígia Maria Salgado da Nóbrega (”Ana”, “Célia”, “Cecília”), que jogou dentro do táxi os panfletos que falavam em vingança contra os “Imperialistas Ingleses”; Hélio Silva (”Anastácio”, “Nadinho”), Carlos Alberto Salles(”Soldado”);
- PCBR - Getúlio de Oliveira Cabral(”Gogó”, “Soares”, “Gustavo”)

98 - 15/02/72 - Luzimar Machado de Oliveira - Soldado PM - Goiás
O terrorista Arno Preiss encontrava-se na cidade de Paraiso do Norte, que estava incluída no esquema de trabalho de campo do MOLIPO. Usava o nome falso de Patrick McBundy Comick. Arno tentou entrar com sua documentação falsa no baile carnavalesco do clube social da cidade. Sua documentação levantou suspeita nos policiais, que o convidaram a comparecer à delegacia local. Ao deixar o clube, julgando-se desmascarado, Arno sacou seu revólver e disparou à queima roupa contra os policiais, matando o PM Luzimar Machado de Oliveira e ferindo gravemente o outro PM que o conduzia, Gentil Ferreira Mano. Acabou morto.

99 - 18/02/72 - Benedito Monteiro da Silva - Cabo PM - São Paulo
Morto quando tentava evitar um assalto terrorista a uma agencia bancária em Santa Cruz do Rio Pardo.

100 - 27/02/72 - Napoleão Felipe Bertolane Biscaldi - Civil - São Paulo
Morto durante um tiroteio entre os terroristas Lauriberto José Reyes e José Ibsem Veroes com policiais, na rua Serra de Botucatu, no bairro Tatuapé. Nesta ação, um policial foi ferido a tiros de metralhadoras por Lauriberto. Os dois terroristas morreram no local.

101 - 06/03/72 - Walter César Galleti - Comerciante - São Paulo
Terroristas da ALN assaltaram a firma F. Monteiro S/A. Após o assalto, fecharam a loja, fizeram um discurso subversivo e assassinaram o gerente Walter César Galetti e feriram o subgerente Maurílio Ramalho e o despachante Rosalindo Fernandes.

102 - 12/03/72 - Manoel dos Santos - Guarda de Segurança - São Paulo
Morto durante assalto terrorista à fábrica de bebidas Charel Ltda.

103 - 12/03/72 - Aníbal Figueiredo de Albuquerque - Coronel R1 do Exército - São Paulo
Morto durante assalto à fábrica de bebidas Charel Ltda., da qual era um dos proprietários

104 - 08/05/72 - Odilo Cruz Rosa - Cabo do Exército - PA
Morto na região do Araguaia quando uma equipe comandada por um tenente e composta ainda, por dois sargentos e pelo Cabo Rosa foram emboscados por terroristas comandados por Oswaldo Araújo Costa, o “Oswaldão”, na região de Grota Seca, no Vale da Gameleira. Neste tiroteio foi morto o Cabo Rosa e feridos o Tenente e um Sargento.

105 - 02/06/72 - Rosendo - Sargento PM - SP
Morto ao interceptar 04 terroristas que assaltaram um bar e um carro da Distribuidora de Cigarros Oeste LTDA.

106 - 29/06/72 - João Pereira - Mateiro-região do Araguaia - PA
“Justiçado exemplarmente” pelo PC do B por ter servido de guia para as forças legais que combatiam os guerrilheiros. A respeito, Ângelo Arroyo declarou em seu relatório: “A morte desse bate-pau causou pânico entre os demais da zona”.

107 - 09/09/72 - Mário Domingos Panzarielo - Detetive Polícia Civil - RJ
Morto ao tentar prender um terrorista da ALN.

108 - 23/09/72 - Mário Abraim da Silva - Segundo Sargento do Exército - PA
Pertencia ao 2º Batalhão de Infantaria de Selva, com sede em Belém. Sua Companhia foi deslocada para combater a guerrilha na região do Araguaia. Morto em combate, durante um ataque guerrilheiro no lugarejo de Pavão, base do 2º Batalhão de Selva.

109 - 27/09/72 - Sílvio Nunes Alves - Bancário - RJ
Assassinado em assalto ao Banco Novo Mundo, na Penha, pelas organizações terroristas PCBR - ALN - VPR - Var Palmares e MR8. Autor do assassinato: José Selton Ribeiro.

110 - –/09/72 - Osmar… - Posseiro - PA
“Justiçado” na região do Araguaia pelos guerrilheiros por ter permitido que uma tropa de pára-quedistas acampasse em suas terras.

111 - 01/10/72 - Luiz Honório Correia - Civil - RJ
Morto por terroristas no assalto à empresa de Ônibus Barão de Mauá

112 - 06/10/72 - Severino Fernandes da Silva - Civil - PE
Morto por terroristas durante agitação no meio rural.

113 - 06/10/72 - José Inocêncio Barreto - Civil - PE
Morto por terroristas durante agitação no meio rural.

114 - 21/02/73 - Manoel Henrique de Oliveira - Comerciante - São Paulo
No dia 14 de junho de 1972, as equipes do DOI de São Paulo, como já faziam há vários dias, estavam seguindo quatro terroristas da ALN que resolveram almoçar no restaurante Varela, no bairro da Mooca. Quando eles saíram do restaurante, receberam voz de prisão. Reagindo, desencadearam tiroteio com os policiais. Ao final, três terroristas estavam mortos, e um conseguiu fugir. Erroneamente, a ALN atribuiu a morte de seus três companheiros à delação de um dos proprietários do restaurante e decidiu justiçá-lo. O comando “Aurora Maria do Nascimento Furtado”, constituído por Arnaldo Cardoso Rocha, Francisco Emanuel Penteado, Francisco Seiko Okama e Ronaldo Mouth Queiroz, foi encarregado da missão e assassinou, no dia 21 de fevereiro, o comerciante Manoel Henrique de Oliveira, que foi metralhado sem que pudesse esboçar um gesto de defesa. Seu corpo foi coberto por panfletos da ALN, impressos no Centro de Orientação Estudantil da USP por interveniência do militante Paulo Frateschi.

115 - 22/02/73 - Pedro Américo Mota Garcia - Civil - Rio de Janeiro
Por vingança, foi “justiçado” por terroristas por haver impedido um assalto contra uma agência da Caixa Econômica Federal.

116 - 25/02/73 - Octávio Gonçalves Moreira Júnior - Delegado de polícia - São Paulo
Com a tentativa de intimidar os integrantes dos órgãos de repressão, um “Tribunal Popular Revolucionário” decidiu “justiçar” um membro do DOI/CODI/II Exército. O escolhido foi o delegado de polícia Octávio Gonçalves Moreira Júnior.

117 - 12/03/73 - Pedro Mineiro - Capataz da Fazenda Capingo
“Justiçado” por terroristas na Guerrilha do Araguaia.

118 - Francisco Valdir de Paula - Soldado do Exército-região do Araguaia - PA
Instalado numa posse de terra, no município de Xambioá, fazendo parte de uma rede de informações montada na área de guerrilha, foi identificado pelos terroristas e assassinado. Seu corpo nunca foi encontrado.

119 - 10/04/74 -Geraldo José Nogueira - Soldado PM - São Paulo
Morto numa operação de captura de terroristas.