sábado, 5 de dezembro de 2009

Enem, mais dificil? Que bom, então!!!

Candidatos fazem provas do primeiro dia do Enem 2009, em São Paulo (Foto: Daigo Oliva/G1)

As provas do primeiro dia do Enem ainda não estão disponíveis na rede. A maioria dos sites, porém, tem deixado disponível a resolução dos 90 itens que compuseram a prova desta tarde. Escolhi o G1 como site de referência, e nele, os professores que resolveram as questões consideraram que houve uma significativa mudança na forma como os conteúdos foram cobrados. Sobretudo em relação à prova que vazou em outubro e provocou tanta celeuma.

No caso específico dos itens de História, informa o site, a professora Vera Lúcia da Costa Antunes, do Curso Objetivo, considerou o nível bem mais exigentes que o de Geografia.

Uma crítica bastante comum, embora vocês, meus caros, não devem ter ficado surpresos, foi o fato de os enunciados serem excessivamete longos, tornando a prova bem mais cansativa do que já é. De qualquer forma, dos itens que consegui ler, os textos, como cansei de dizer, ajudaram, e muito!, na resolução. Brincava em sala, vocês lembram, que os itens de História da prova do Enem pareciam mais analisar se o aluno sabia ler do que dominar os conteúdos de História. Em dois casos, pelo menos, minha análise se mostrou correta. Não consegui ver todos, repito.

O item que falava da imigração européia na segunda metade do século XIX, por exemplo, poderia ser resolvido apenas com uma leitura atenta do texto de referência.

Estou à espera que a prova seja liberada e eu possa fazer um julgamento mais adequado dos itens de História. Por enquanto, descansem que amanhã tem mais!!!


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

"A nossa Moral e a deles" ou quanto vale a vida humana para um comunista?

Do blog do Reinaldo Azevedo.

A FILHA DE PRESTES QUER BRINCAR DE HISTÓRIA? COMO NO JOGO, ACEITO O TRUCO E AINDA CHAMO SEIS!!!


quarta-feira, 18 de novembro de 2009 | 17:12



Podem achar alguns que sinto um especial prazer em desmoralizar as teses das esquerdas. Não! Parece que elas é que gostam de se desmoralizar. Afirmei que Anita Leocádia, filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benário, deveria ser mais cuidadosa quando se refere a crimes da esquerda e mesmo quando, nesse particular, evoca a memória dos pais. Até porque é historiadora. Peço que vocês leiam atentamente a história. que segue Ela reflete o que é a moral profunda de uma comunista. Quem não conhece ficará impressionado. Renderia um belo e terrível filme. Mas ninguém o fará.
*
Desde menina, Elvira Cupelo Colônio acostumara-se a ver, em sua casa, os numerosos amigos de seu irmão, Luiz Cupelo Colônio. Nas reuniões de comunistas, fascinava-se com os discursos e com a linguagem complexa daqueles que se diziam ser a salvação do Brasil. Em especial, admirava aquele que parecia ser o chefe e que, de vez em quando, lançava-lhe olhares gulosos, devorando o seu corpo adolescente. Era o próprio Secretário-Geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Antonio Maciel Bonfim, o “Miranda”.

Em 1934, então com 16 anos, Elvira Cupelo tornou-se a amante de “Miranda” e passou a ser conhecida, no Partido, como “Elza Fernandes” ou, simplesmente, como a “garota”. Para Luiz Cupelo, ter sua irmã como amante do secretário-geral era uma honra. Quando ela saiu de casa e foi morar com o amante, Cupelo viu que a chance de subir no Partido havia aumentado.

Entretanto, o fracasso da Intentona, com as prisões e os documentos apreendidos, fez com que os comunistas ficassem acuados e isolados em seus próprios aparelhos.

Nos primeiros dias de janeiro de 1936, “Miranda” e “Elza” foram presos em sua residência, na Avenida Paulo de Frontin, 606, Apto 11, no Rio de Janeiro. Mantidos separados e incomunicáveis, a polícia logo concluiu que a “garota” pouco ou nada poderia acrescentar aos depoimentos de “Miranda” e ao volumoso arquivo apreendido no apartamento do casal. Acrescendo os fatos de ser menor de idade e não poder ser processada, “Elza” foi liberada. Ao sair, conversou com seu amante que lhe disse para ficar na casa de seu amigo, Francisco Furtado Meireles, em Pedra de Guaratiba, aprazível e isolada praia da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Recebeu, também, da polícia, autorização para visitá-lo, o que fez por duas vezes.

Em 15 de janeiro, Honório de Freitas Guimarães, um dos dirigentes do PCB, ao telefonar para “Miranda” surpreendeu-se ao ouvir, do outro lado do aparelho, uma voz estranha. Só nesse momento, o Partido tomava ciência de que “Miranda” havia sido preso. Alguns dias depois, a prisão de outros dirigentes aumentou o pânico. Segundo o PCB, havia um traidor. E o maior suspeito era “Miranda”.

As investigações do “Tribunal Vermelho” começaram. Honório descobriu que “Elza” estava hospedada na casa do Meireles, em Pedra de Guaratiba. Soube, também, que ela estava de posse de um bilhete, assinado por “Miranda”, no qual ele pedia aos amigos que auxiliassem a “garota”. Na visão estreita do PCB, o bilhete era forjado pela polícia, com quem “Elza” estaria colaborando. As suspeitas transferiram-se de “Miranda” para a “garota”.

Reuniu-se o “Tribunal Vermelho”, composto por Honório de Freitas Guimarães, Lauro Reginaldo da Rocha, Adelino Deycola dos Santos e José Lage Morales. Luiz Carlos Prestes, escondido em sua casa da Rua Honório, no Méier, já havia decidido pela eliminação sumária da acusada. O “Tribunal” seguiu o parecer do chefe e a “garota” foi condenada à morte. Entretanto, não houve a desejada unanimidade: Morales, com dúvidas, opôs-se à condenação, fazendo com que os demais dirigentes vacilassem em fazer cumprir a sentença. Honório, em 18 de fevereiro, escreveu a Prestes, relatando que o delator poderia ser, na verdade, o “Miranda”.

A reação do “Cavaleiro da Esperança” foi imediata. No dia seguinte, escreveu uma carta aos membros do “Tribunal”, tachando-os de medrosos e exigindo o cumprimento da sentença. Os trechos dessa carta de Prestes, a seguir transcritos, constituem-se num exemplo candente da frieza e da cínica determinação com que os comunistas jogam com a vida humana:

“Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilação de vocês. Assim não se pode dirigir o Partido do Proletariado, da classe revolucionária.” … “Por que modificar a decisão a respeito da “garota”? Que tem a ver uma coisa com a outra? Há ou não há traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima ao Partido…?” … “Com plena consciência de minha responsabilidade, desde os primeiros instantes tenho dado a vocês minha opinião quanto ao que fazer com ela. Em minha carta de 16, sou categórico e nada mais tenho a acrescentar…” … “Uma tal linguagem não é digna dos chefes do nosso Partido, porque é a linguagem dos medrosos, incapazes de uma decisão, temerosos ante a responsabilidade. Ou bem que vocês concordam com as medidas extremas e neste caso já as deviam ter resolutamente posto em prática, ou então discordam mas não defendem como devem tal opinião.”

Ante tal intimação e reprimenda, acabaram-se as dúvidas. Lauro Reginaldo da Rocha, um dos “tribunos vermelhos”, respondeu a Prestes:

“Agora, não tenha cuidado que a coisa será feita direitinho, pois a questão do sentimentalismo não existe por aqui. Acima de tudo colocamos os interesses do P.”

Decidida a execução, “Elza” foi levada, por Eduardo Ribeiro Xavier (”Abóbora”), para uma casa da Rua Mauá Bastos, Nº 48-A, na Estrada do Camboatá, onde já se encontravam Honório de Freitas Guimarães (”Milionário”), Adelino Deycola dos Santos (”Tampinha”), Francisco Natividade Lira (”Cabeção”) e Manoel Severino Cavalcanti (”Gaguinho”).

Elza, que gostava dos serviços caseiros, foi fazer café. Ao retornar, Honório pediu-lhe que sentasse ao seu lado. Era o sinal convencionado. Os outros quatro comunistas adentraram à sala e Lira passou-lhe uma corda de 50 centímetros pelo pescoço, iniciando o estrangulamento. Os demais seguravam a “garota”, que se debatia desesperadamente, tentando salvar-se. Poucos minutos depois, o corpo de “Elza”, com os pés juntos à cabeça, quebrado para que ele pudesse ser enfiado num saco, foi enterrado nos fundos da casa. Eduardo Ribeiro Xavier, enojado com o que acabara de presenciar, retorcia-se com crise de vômitos.

Perpetrara-se o hediondo crime, em nome do Partido Comunista.

Poucos dias depois, em 5 de março, Prestes foi preso em seu esconderijo no Méier. Ironicamente, iria passar por angústias semelhantes, quando sua mulher, Olga Benário, foi deportada para a Alemanha nazista.

Alguns anos mais tarde, em 1940, o irmão de “Elza”, Luiz Cupelo Colônio, o mesmo que auxiliara “Miranda” na tentativa de assassinato do “Dino Padeiro”, participou da exumação do cadáver. O bilhete que escreveu a “Miranda”, o amante de sua irmã, retrata alguém que, na própria dor, percebeu a virulência comunista:

“Rio, 17-4-40″
Meu caro Bonfim,
Acabo de assistir à exumação do cadáver de minha irmã Elvira. Reconheci ainda a sua dentadura e seus cabelos. Soube também da confissão que elementos de responsabilidade do PCB fizeram na polícia de que haviam assassinado minha irmã Elvira. Diante disso, renego meu passado revolucionário e encerro as minhas atividades comunistas.
Do teu sempre amigo, Luiz Cupelo Colônio”.

Voltei
O relato acima está no site Ternuma. “Ah, eu sabia, é coisa da direita!”, gritará o petralha ignorante. Não! O caso está minuciosamente relatado nas páginas 238 a 243 do livro Combate nas Trevas, do esquerdista Jacob Gorender. O papel desempenhado por Prestes é ainda mais pusilânime, mais covarde, mais assustador. Deixa entrever suspeita de psicopatia.

Prestes morava, à época, numa casa da rua Honório em companhia justamente de Olga Benário. Todos sabem que ela era, por formação intelectual e decisão do Comintern, chefe dele. Portanto, mais ela do que ele decidiu a morte da garota Elvira, a “Elza”. Olga também foi assassinada, como sabemos. As duas tiveram uma morte terrível. Uma virou mito. A outra virou pó.

Olga, afinal, era uma mártir do comunismo. Como tal, merece ser reverenciada. Elvira/Elza era só uma coitada do povo, analfabeta, de que a outra foi juíza implacável. Nenhum delas teve direito à defesa. Mas só uma virou heroína. A outra foi para sempre esquecida, como costuma acontecer com as vítimas das esquerdas.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

OS ATOS INSTITUCIONAIS



É fundamental que você conheça os dispositivos jurídicos que o Regime Militar instaurado no Brasil a partir de 1964 e que se estendeu até 1985, utilizou para implantar a ditadura no país. Esses dispositivos ficaram conhecidos como Atos Institucionais (AI). Ao todo foram 17 os atos institucionais, mas nos deteremos apenas nos cinco primeiros.

Clique nos AI's abaixo e conheça em detalhes o que eles estipulavam.

AI - 1 (09 de abril de 1964)

AI - 2 e o AI 3 (27 de outubro de 1965 e 05 de fevereiro de 1966)

AI - 4 e o AI 5 ( 07 DE DEZEMBRO DE 1966 E 13 DE DEZEMBRO DE 1968)

Os outros Atos adicionais aqui.

Fonte: Fundação Getúlio Vargas (FGV)


sábado, 3 de outubro de 2009

ENEM - DÚVIDAS!!!!

Como todos sabem, as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) que seria aplicado neste fim de semana foram canceladas porque o sigilo da prova foi violado. A história é toda esquisita e suscita, por enquanto, muitas dúvidas e desconfianças. No entanto, o que importa é na próxima segunda-feira, dia 06, o MEC promete divulgar a nova data do exame que deve ocorrer na segunda quinzena de novembro.

Reproduzo, abaixo, uma matéria do Estadão que esclarece as principais dúvidas que os alunos que estão concluindo o ensino médio ainda têm sobre o exame em virtude do cancelamento.

Professores recomendam estudar; tire suas dúvidas sobre Enem


SÃO PAULO - Apesar do atraso da prova do Enem, devido à divulgação da prova na quarta-feira, 30, as universidades tentarão aproveitar a nota do exame em seus vestibulares, e o contepudo cobrado na prova é o mesmo dos exames de seleção das grandes universidade. Portanto, a recomendação de professores de cursinho é que o aluno continue estudando.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, aconselhou "usar o tempo para continuar se preparando para os vestibulares, para o próprio Enem, da mesma forma que fariam em qualquer outra circunstância. Vamos ter mais umas seis semanas pela frente. É frequentar aula, atualizar-se nos jornais, continuar aplicado na leitura, manter o ritmo de trabalho e esperar a remarcação das provas".

Abaixo, veja as principais respostas, até agora, sobre a crise criada pelo vazamento do Enem:

Quando será realizada a prova do Enem?

O Ministério da Educação não fixou uma data oficial, que deve sair nos próximos dias, mas o ministro da Educação, Fernando Haddad, mencionou um possível intervalo de 45 dias.

Quando devem sair as notas?

Em razão do adiamento, o resultado final das provas, inicialmente previsto para o dia 8 de janeiro, deve atrasar em cerca de um mês, diz o governo. Universidades que usam a nota do Enem para contar pontos em seus vestibulares podem ter acesso antecipado a alguns resultados, no entanto.

Por que o Enem ganhou tanta importância este ano?

Neste ano a prova passou por uma reformulação, mudou de formato - passando de 63 questões para 180, realizadas em dois dias - e será adotado como parte do vestibular para 42 das 55 universidades federais de todo o País.

O que fazer agora que a prova foi adiada? Estudar ou aproveitar para descansar?

Vera Lúcia da Costa Antunes, coordenadora dos Cursos Objetivo, conta que o melhor agora é esquecer o problema da prova e continuar a estudar com dedicação total. " Não dá pra relaxar. Como a programação do Enem bate com os grandes vestibulares, basta continuar dentro do programa de estudo para provas como Fuvest e Unicamp", diz.

O que estudar agora nesse tempo extra?

Luis Ricardo Arruda, coordenador da Unidade Tamandaré do Anglo, dá a dica: "O mais importante de cada tema, pois esse é o foco da prova do Enem. Não prestar muita atenção nas notas de rodapé." O coordenador lembra ainda que o aluno que não souber o que estudar deve procurar o professor de cada área e pedir orientação de estudo.

Já se sabe se a prova que vazou servirá como simulado? Caso sim, quando pretendem divulgá-la?

Sim. A prova foi disponibilizada pelo governo na noite desta quinta-feira, e pode ser acessada aqui .

Ainda há como mudar o município onde realizarei a prova?

O Inep informa que não haverá prorrogação no prazo para mudança de local de prova. A data limite era essa quinta-feira, 1º, até às 12 horas.

O Enem vai coincidir com os vestibulares da Unesp (08/11), Unicamp (15/11) e Fuvest (22/11)?

A estimativa de 45 dias leva o Enem para por volta de 17 de novembro, perigosamente perto das provas dos grandes vestibulares paulistas. O coordenador geral do Etapa, Edmilson Motta, considera que uma coincidência do Enem com uma dessas provas seria "criminoso". "Seria uma insanidade completa, o fim do mundo pedir para o aluno escolher entre a Fuvest e o Enem", disse.

Já Vera Lúcia da Costa Antunes, coordenadora dos Cursos Objetivo, acredita que não haverá problema, mesmo com a previsão de realização do Enem em 45 dias. "Eles já têm a prova pronta, o problema agora é de logística e segurança. Acredito que antes dessa previsão de 45 dias a prova seja realizada. Se coincidir com alguma universidade, ela muda. É claro que o aluno vai querer fazer o Enem e nenhuma faculdade vai querer perder aluno", afirmou.

As universidades pretendem alterar as datas de seus vestibulares?

Cada universidade decidirá independentemente como contornará o atraso provocado pelo Enem. É importante ficar de olho nas universidades em que está inscrito (ou em que pretende se inscrever) pois as datas poderão ser alteradas.

E como fica a situação das federais e estaduais paulistas?

A Fuvest, responsável pelo vestibular da Universidade de São Paulo (USP), pretende avaliar se o resultado da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será considerada e usada em seu processo seletivo. A reitoria da USP informou que, por causa do adiamento do Enem, a pró-reitoria de graduação e a Fuvest vão entrar em contato com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), para verificar a possibilidade de compatibilizar os calendários e avaliar se a nota do Enem "será viável no Vestibular Fuvest 2010". Segundo a USP, os candidatos vão ser informados antecipadamente caso ocorra alguma alteração.

Já a Fundação Vunesp, que organiza o vestibular da Unesp informou, por meio de nota, que vai aguardar pela definição da nova data da prova do Enem para se manifestar sobre possíveis mudanças no calendário do vestibular deste ano. Segundo a Vunesp, os candidatos a vagas nos cursos oferecidos pela Unesp serão informados com antecedência caso ocorra alguma alteração.

Também por meio de nota à imprensa, a Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest), responsável pelo vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), informou que vai esperar pelo anúncio das novas datas de provas e da disponibilização das notas do Enem. Na Unicamp, a nota do Enem tem peso de 20% na primeira fase do processo seletivo.

Já a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) informou que vai manter o calendário previsto para o vestibular e que o adiamento do Enem não vai afetar o processo seletivo em nenhum dos dois modelos aplicados pela instituição: o unificado (que é o vestibular em fase única com a nota do Enem, e que é aplicado em 19 cursos ministrados na instituição) e no misto (que computa a nota do Enem, mais o resultado de uma prova e mais uma segunda fase de seleção e que é aplicado em sete cursos). Segundo a Unifesp, as provas da segunda fase serão realizadas nos dias 17 e 18 de dezembro deste ano e vão contar com questões de língua portuguesa, língua estrangeira, redação e conhecimentos específicos.

Na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a assessoria de imprensa informou que, em princípio, não haverá alteração na programação do processo seletivo. A nota do Enem vale 50% da nota final do vestibular da instituição. Os outros 50% correspondem às provas que são aplicadas pela UFSCar.

A Universidade Federal do ABC decidiu que não haverá alterações em seu calendário.

Os pontos do Enem ainda vão ser aproveitados para compor a nota de outros vestibulares?

Cada universidade terá de decidir como pretende proceder. Além da questão da segurança da prova há o problema dos prazos - a nova data de divulgação dos resultados do Enem poderá conflitar com o calendário de liberação de listas de aprovados das escolas.

O meu desempenho pode ser afetado por essa mudança?

Além da possibilidade do Enem ser realizado em datas próximas a vestibulares importantes, adiar o exame além dos 45 dias previstos também poderá ser um problema para o vestibulando.

É no final do ano que se concentram a maior parte dos vestibulares, o que acaba sobrecarregando o aluno. "Fazer o Enem no meio de várias outras provas é exaustivo, desumano. Cai a produtividade e, consequentemente, o resultado do aluno", conta Arruda.

"O ideal seria mesmo que o Enem já acontecesse agora em outubro, antes dos outros vestibulares, até porque o aluno teria uma experiência de um grande vestibular", disse Motta.

domingo, 27 de setembro de 2009

Estatitas e privatistas

No início da década de 1950, quando Getúlio Vargas governava o Brasil pela segunda vez, embora agora legitimado por uma eleição direta com voto secreto, havia no país basicamente dois modelos de desenvolvimento econômico: de um lado havia os nacional-desenvolvimentistas, refratários ao invetimento do capital privado internacional, sobretudo em setores considerados estratégicos, como energia e transporte. Do outro, os liberais que defendiam uma participação importante de investidores privados internacionais na infra-estrutura do país e em setores estratégicos. Dito assim, desse modo, é um tanto simplista, eu sei. Há algumas filigranas nessa diferenciação, importantes. Contudo, para o que eu quero demonstrar, isso já é suficiente.

Durante o acalorado debate da década de 50, os esquerdistas tacharam nos liberais a pecha de "entreguistas", acusação leviana e estúpida, mas que pegou. Eles, por sua vez, se autoproclamavam nacionalistas, pois diziam, estavam defendendo as riquezas e a soberania do país, enquanto os outros queria entregar essa soberania e essas riquezas nas mãos do "espoliador capital financeiro internacional".

Em 2009, o Governo Lula reedita essas acusações com novos termos, mas que na essência é a mesma do início do Segundo Governo Vargas. Hoje os "entreguistas" são chamados de privatistas. O governo acusa a oposição de querer vender o patrimônio brasileiro, tirando do país e de seu povo as riquezas e a soberania. Como no passado, os que defendem uma maior participação do Estado se autoproclamam de nacionalistas ou de estatistas.

Abaixo, leiam com muita atenção um editorial do jornal O Globo, sobre o tema. É revelador.

Do blog do Noblat
Deu em O Globo

O Deus Estado (Editorial)

Por esperteza político-eleitoral, ideologia ou ambos — o mais provável —, há uma febre de “estadolatria” em Brasília. Talvez porque tenha funcionado no segundo turno de 2006 o estratagema de tachar tucanos de “privatistas”, a defesa do Estado passou a aparecer com mais frequência em discursos do presidente Lula e da candidata Dilma Rousseff.

Explora-se com alguma competência a idéia tosca, ainda existente na população, de que o “Estado é do povo”, assim como suas empresas. Confunde-se o “estatal” com o “coletivo”, como se não existisse a expropriação privada do bem público pelo patrimonialismo, exercido de maneiras mais sutis ou escancaradas, como nas mordomias do Executivo e o nepotismo no Legislativo e Judiciário.

Com responsabilidade de governante, é verdade que Lula não tem brincado em serviço: embora não deva discordar que os opositores do novo modelo de exploração do pré-sal, de figurino estatizante, sejam adjetivados de “entreguistas”, apressou-se a permitir que a participação de investidores estrangeiros dobre no capital do Banco do Brasil, pois se trata da única forma de abrir espaços para ampliar a capitalização do BB.

Em recente entrevista à “Folha de S.Paulo”, a ministra Dilma tratou de criticar a idéia do “Estado mínimo”, pressupondo que haja alguém, no mundo de hoje, que ainda defenda um modelo de laissez-faire com tinturas do século XIX. A preocupação que se tem é com o “Estado máximo”, com o qual autoridades de primeiro escalão do governo parecem sonhar.

Em outra entrevista, esta de Lula ao jornal “Valor”, o presidente anunciou o envio ao Congresso da “Consolidação das Leis Sociais” — não bastasse o engessamento do mercado de trabalho, em prejuízo dos trabalhadores, causado por uma outra “consolidação”, a CLT getulista.

Mais uma vez: pode ser tática eleitoral — para atiçar a oposição a se colocar contra o “povo” — e também ideologia. Trata-se de outro princípio da “estadolatria”, pelo qual toda “bondade” precisa ser transformada em lei, para que o Estado imponha seu cumprimento. Uma ilusão, como demonstra a CLT, principal causa de a metade dos trabalhadores sobreviver na informalidade.

Mas não é só discursos. Há efetivos avanços do Estado sobre espaços da sociedade. Um exemplo é a tentativa da Anvisa de proibir e regular anúncios de alimentos e remédios, embora a própria Advocacia Geral da União diga ser esta função exclusiva do Congresso. Está claro que os estatistas querem tutelar uma sociedade que consideram imatura e despreparada para cuidar da própria sobrevivência.



terça-feira, 22 de setembro de 2009

Arquivos de som e vídeo sobre Getúlio Vargas

Ano que vem, no Brasil, ocorrerá eleições gerais. O eleitor escolherá 26 governadores, 513 deputados e dois terços de Senado, além do novo Presidente da República. Será a sexta eleição direta para presidente desde o fim do regime militar. Campanhas publicitárias, jingles, filmes, panfletos, adesivos, toda sorte de propaganda política procurará mobilizar o eleitor brasileiro. Mas... e na eleições de 1950, quando Getúlio Vargas retornou ao poder pelo voto direto, como foi a campanha? A Fundação Getúlio Vargas, em seu site na internet, dispõe filmes e canções sobre a dita campanha. Destaco dois links. No entanto, recomendo todos!

O primeiro link (clique aqui) nos leva a uma famosa marchinha que enaltecia a figura de Vargas. A marchinha se chama Gêgê, uma forma de buscar uma intimidade entre o eleitor e o candidato Vargas.

O segundo link (clique aqui) nos leva a um filme publicitário, onde Getúlio Vargas aparece em sua propriedade em São Borja. Fique atento para a figura de Adhemar de Barros, governador de São Paulo pelo PSP que apoiou Vargas nessa eleição emtroca do apoio de Getúlio nas eleições de 1955.

Insisto. Clique aqui e conheça outros arquivos de som e vídeo sobre Getúlio Vargas.

Getúlio e a crise política

Fonte: FGV (Fundação Getúlio Vargas)

O cenário político que Getúlio Vargas encontrou no início dos anos 1950 era bem mais difícil do que o enfrentado por ele durante a década de 1930, uma vez que, no segundo caso, governaria em um sistema político aberto e sem o apoio da maioria no Congresso. A política trabalhista e o desenvolvimento econômico de cunho nacionalista que tentaria implantar nesse segundo governo encontraria forte oposição no Parlamento e nas Forças Armadas.

Afonso Arinos, deputado pela UDN,  discursando na Câmara dos Deputados. Rio de Janeiro, 1953. Apesar dos esforços despendidos pelo presidente no sentido de atrair seus opositores para o governo, em meados de 1952 já estava claro que a União Democrática Nacional (UDN), principal partido de oposição, não abdicaria de sua posição antigetulista. Esse quadro se agravaria com as tensões sociais provocadas pelo aumento da inflação e do custo de vida, que atingia particularmente as classes médias e o operariado. Diante da conjuntura política desfavorável e da necessidade de adotar políticas antiinflacionárias e, portanto antipopulares, Vargas decidiu, em junho de 1953, fazer uma reforma ministerial. Para o Ministério do Trabalho, nomeou João Vicente Belchior Goulart, conhecido como Jango.

João Goulart era um jovem estancieiro do Rio Grande do Sul, que se havia aproximado muito de Vargas durante o período em que este permaneceu em São Borja (1946-1950), e fora um dos principais articuladores da sua campanha para a presidência da República. Principal liderança do Partido Trabalhista (PTB) nos anos 1950, Jango era muito próximo dos sindicatos e representava, na reforma de 1953, o esforço do governo para neutralizar uma oposição de setores da esquerda que começava a despontar. Por outro lado, o novo ministro da Fazenda, Oswaldo Aranha, companheiro de Vargas desde a Revolução de 1930, defendia a estabilização econômica, dispondo-se a desenvolver um programa antiinflacionário.

Em janeiro de 1954, começou a crescer a pressão dos trabalhadores pelo aumento do salário mínimo. Manter o salário em níveis não inflacionários era condição indispensável para o êxito da política de estabilização desenvolvida por Oswaldo Aranha nos últimos meses. Entretanto, corriam boatos de que Goulart cederia às pressões populares e concederia um aumento para o mínimo de cerca de 100%.

A resposta não demorou a chegar. No mês seguinte, fevereiro de 1954, 82 coronéis e tenentes-coronéis, ligados à ala conservadora do Exército no Rio de Janeiro, assinaram um documento que ficou conhecido como Manifesto ou Memorial dos Coronéis. Nesse memorial, elaborado no dia 8 e divulgado na íntegra pela imprensa 12 dias depois, os coronéis alardeavam a "deterioração das condições materiais e morais" indispensáveis ao pleno desenvolvimento do Exército, onde "perigoso ambiente de intranqüilidade", começava a se alastrar. Os coronéis conclamavam seus superiores a promover uma "campanha de recuperação e saneamento no seio das classes armadas", com o firme propósito de restaurar os "elevados padrões de eficiência, de moralidade, de ardor profissional e dedicação patriótica, que (...) asseguravam ao Exército respeito e prestígio na comunidade nacional".

O memorial protestava principalmente contra o descaso do governo em face das necessidades do Exército, como, por exemplo, as de remodelar instalações precárias em todo território nacional, reequipar as unidades, cujo material bélico era em sua maioria obsoleto, e conceder reajuste salarial aos militares, que viviam em "eterna disparidade" em relação às forças armadas de outros países. Nesse sentido, teciam sérias críticas ao aumento de 100% do salário mínimo proposto por Goulart, que provocaria distorções salariais graves, fazendo com que um operário percebesse um salário próximo ao de um oficial do Exército.

Ministro da Guerra, Ciro do Espírito Santo Cardoso (à direita de farda), o presidente Getúlio e o ministro da Agricultura, João Cleofas (sentado de terno branco). Barra do Piraí (RJ), 26 jan 1952. Ante a repercussão do memorial nos meios políticos e militares, Vargas optou pela substituição imediata de seus ministros da Guerra e do Trabalho, Ciro do Espírito Santo Cardoso e João Goulart, ambos identificados com a política nacionalista de seu governo e envolvidos diretamente na questão do aumento salarial. Jango apresentou pedido de demissão, que foi aceito pelo presidente em 22 de fevereiro de 1954, mas em 1o de maio Getúlio anunciou em discurso inflamado o novo salário mínimo, nos termos propostos por João Goulart.

Apesar do sucesso popular da medida, houve forte reação do empresariado e dos meios políticos. Várias denúncias circulavam pelo país, entre elas a de que existiria um acordo entre Perón, Vargas e Goulart no sentido de implantar no país uma república sindicalista no Brasil. A partir desse momento, a oposição civil e militar retomou o movimento conspiratório que desembocaria na crise de agosto e no suicídio do presidente.